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terça-feira, 14 de junho de 2011

OS INIMIGOS ESTÃO DENTRO



É na mente humana que se forjam os inimigos do homem e também os amigos. Tudo ao que mentalmente opomos resistência transformamos em inimigo. Se não gosto destas mãos, elas são minhas inimigas; se não gosto de chuva e calor, eles serão meus inimigos; se não gosto da pessoa que está do meu lado, dessa tosse, daquele barulho... são meus inimigos. Se não gosto da minha aparência, do meu nariz, dos meus dentes, da minha pele..., transformam-se em meus inimigos, despertam em mim os mesmos sentimentos de repulsa que um inimigo real. E você começa a se tratar com hostilidade, como se fosse seu próprio inimigo, envergonhando-se. E envergonhar-se equivale a castigar a si mesmo.
Os inimigos estão, portanto, dentro do homem. Ou melhor, os inimigos passam a existir à medida que você lhes dá vida com suas recusas mentais. Se rejeitar seu vizinho, você o transforma em inimigo, mas o problema não está nele, e, sim, em você. A inimizade cresce à medida que aumenta a repulsa do seu coração. Se você não gosta da voz de determinada pessoa, do modo de ser daquela outra, dessa atitude, daquela reação..., sua alma pode acabar transformada em uma cidade cercada de inimigos por todos os lados.
Desse modo, milhares de acontecimentos e de agentes externos podem despertar em você sentimentos de hostilidade, reações iradas, impulsos de violência. Portanto, se o homem acaba se transformando em inimigo de tudo que o desagrada, pode acabar transformando-se em um ser universalmente sombrio, medroso, e ao mesmo tempo temido e inimigo da humanidade.

Formação Humana - Sede Santos
Inácio Larrañaga - Sacerdote franciscano-capuchinho

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Insegurança e imagem negativa de si mesmo


  Uma pesquisa recentemente realizada revela que 75% das pessoas sofrem de muito pouca auto-estima. Mas, o que leva a maioria das pessoas a sentirem-se interiormente negativas e inseguras?
  Apresentaremos aqui, duas maneiras opostas de se viver o mesmo problema da insegurança: nega-la ou suporta-la.
  A primeira maneira de (por assim dizer) resolver o problema da insegurança é a de: nega-la. É o que preferem os chamados fanfarrões. Esse tipo de pessoas tem como que medo de si mesmo, de sua zona negativa, então se convence de que ela não existe, isto é: a insegurança.
  Tais pessoas são, por isso, internamente fracas e inconscientemente medrosas. No entanto não conseguem convencer-se disso. Então, externamente se apresentam o contrario do que são. Na realidade vivem eternamente insatisfeitas e profundamente tristes, ainda que procurem disfarçar.
  Outra maneira oposta de viver a própria insegurança consiste em nada fazer para reagir contra ela. É a atitude dos assim chamados “tímidos”. Estes se limitam a viver queixando-se dela. Suportam-na. Descobrem apenas os aspectos negativos da própria personalidade.   Não sabem captar ou captam, insuficientemente, seus aspectos positivos. Não é que não conseguem ver, é que no conceito que tem do próprio eu, aparecem como mais importante às características negativas de sua personalidade.
  Normalmente o inseguro tímido tende a fechar-se em si mesmo e a isolar-se. E ao mesmo tempo vivem em uma atitude descompromissada, delegando aos outras tarefas e responsabilidades, tudo para não se tornarem expostos.
  Então vem a grande pergunta: Por que existe tanta gente insegura e insatisfeita, em busca de uma estima de si cada vez mais inantigivel?
  Trata-se na realidade, de um conflito de identidade. Ou seja, a pessoa, sem mesmo dar-se conta, da sempre mais importância a determinadas qualidades e maneiras de ser, que a sociedade aprecia e conquistam a estima dos outros. Esquecendo-se então daquele nome que recebeu de Deus. Isto é puramente a crise de identidade. É como se não lhe “bastasse” ser filho (a) de Deus para sentir-se seguro (a) e positivo (a).

do livro: “Amarás o Senhor teu Deus”
Pe. Amedeo Cencini 

O fraco não sabe perdoar


  “Porque perdoar é qualidade dos fortes”. Estas são palavras de um hindu piedoso, Mahatma Gandhi – uma pessoa cujo pacifismo e vontade eram tão forte que levou uma potencia mundial a dobrar-se e que escreveu um capitulo da história do mundo. Em seu engajamento referiu-se expressamente a Jesus.
  Muitos cristãos acham um peso perdoar aqueles que o ofenderam. O perdão tem para eles um gosto de resignação. Não posso ficar com raiva devo perdoar. Perdoar é sempre expressão de fortaleza e não de fraqueza.
  Só posso perdoar o outro quando me distancio dele internamente. Para isso preciso da agressão, de uma força interior, com aqual jogo o outro para fora de mim.
  O segundo passo do perdão é deixar a ofensa para o outro. Perdoar significa, mandar embora o que o outro me fez, para que isso não me afete e oprima.
  O terceiro passo é tentar compreender o outro. Quando eu o compreendo, o perdão não é mais uma obrigação pessoal, a qual submeto para cumprir o mandamento de Jesus, mas um ato de libertação. Se eu compreendo que o outro me ofendeu só porque ele mesmo é um filho ofendido, porque ele passou adiante as ofensas que ele ofendeu, então ele já não tem poder sobre mim. Fico livre daquilo que ele me fez.
  Enquanto eu não puder perdoar, estou ligado ao outro. O perdão me liberta. Muitas pessoas não se tornam sadias porque não sabem perdoar. Há necessidade de boa dose de auto domínio para saber perdoar. Mas o perdão leva ao mesmo tempo uma fortaleza, clareza e liberdade interior muito grande.

Do livro: O livro da arte de viver
                 Anselm Grun